Publicidade da Partilha

Crônica escrita pelo nossa amigo Sam Cyrous e publicada originalmente no caderno “Força Livre” do Diário da Manhã em 11 de março de 2012.

Recentemente a TuddoWeb, empresa goianiense gerida por dois amigos meus, resolveu fazer a sua homenagem ao dia da mulher. Colocaram no Facebook uma foto explicativa de um concurso (cujo prêmio era meia centena de brigadeiros), com o logotipo da empresa. Na legenda da foto podia-se ler que quem quisesse os brigadeiros, teria que, entre outras coisas, curtir a página deles e compartilhar a foto na sua linha do tempo do Facebook. Achei genial a ideia. Você não acharia? Poder ganhar 50 doces sem esforço! Mas, mais genial ainda é o novo conceito de marketing e publicidade digital que começa a surgir por aí.

Poucas horas depois, notei que um Shopping Center no Paraná estava fazendo a mesma coisa com relógios: curtir a página e compartilhar a foto. As mesmíssimas regras…

Esse novo conceito que está surgindo não tem a ver com a questão de gostos e desgostos no campo do consumo, afinal a TuddoWeb não está nos convidando a comprar brigadeiros, nem a comprar os brigadeiros deles pois, afinal de contas, eles são uma marca digital. Nem o Shopping estava fazendo isso (quer dizer… mais ou menos, né?). O que está acontecendo é outra coisa: é o convite a nós gostarmos deles (e não do produto) — temos é que curtir a empresa, gostar dela.

Além disso, eles nos estão convidando a fazer o básico dos básicos em termos de publicidade: compartilhar o que gostamos. Já reparou naquelas coisas que aparecem no Facebook, meio sem sabermos porquê e de onde? É porque alguém gostou e compartilhou. Compartilhar significa muitas vezes gostar e se eu gosto de algo como eu gosto da TuddoWeb, compartilho sobre ele. É como alguns anúncios de sorvete: se você gosta, você vai querer compartilhar com quem ama.

A publicidade dos tempos modernos é essa: não é mais a publicidade de se eu gosto do sorvete ele é só para mim — é a publicidade da partilha. Partilhar faz parte das nossas vidas, não fossemos nós seres humanos que se relacionam, comunicam e partilham. Partilhamos as nossas vidas com os outros nas nossas páginas de Facebook, blogs, Orkuts e Twitters. Partilhamos conhecimento em simples conversas com amigos e familiares, colegas de trabalho, na escola e também nos mais diversos eventos. Partilhamos tudo o que podemos, porque não somos egoístas como algumas teorias advogam. O movimento TEDx, ao qual pertenço, também se baseia na partilha — de informações, não apenas nas palestras filmadas, como também nos intervalos, nos quais palestrante e audiência são convidados a estabelecer uma relação horizontal de partilha de conhecimentos. É meio que por isso que o TEDxUFG tem como o seu lema Conhecimento sempre compartilhado.

Não fosse isso que fizemos para evoluirmos enquanto espécie: passarmos de seres isolados em suas cavernas a comunidades internacionais que compartilham o conhecimento adquirido!

Então: além de eu compartilhar as minhas ideias com você, porquê você não para aqui, dois segundos, entre uma página e outra do jornal, e diz a si mesmo, em voz alta qual o conhecimento que você tem compartilhar…

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